19 de mai de 2011

Uma prece em contraluz


A Mesquita Azul ou Mesquita do Sultão Ahmed é uma mesquita otomana de IstambulTurquia. Foi construída entre 1609 e 1616 e está situada no bairro de Eminönü, no distrito de Fatih em frente da Basílica de Santa Sofia da qual se encontra separada por um formoso espaço ajardinado. É a única mesquita de Istambul que possui seis minaretes.

A maior parte do interior da Mesquita Azul é fechada para turistas, mas é possível ver, de longe, a oração dos fiéis. É difícil saber o que é mais inspirador: o impressionante interior ou a magnífica vista para o Bósforo.

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Fotografar em contraluz é geralmente uma situação complicada, com alto contraste luminoso, em que é preciso fazer alguma concessão entre exibir detalhes das áreas escuras ou das áreas claras. Câmeras digitais modernas, não necessariamente DSLR nem câmeras fotográficas profissionais, ajudam bastante, pois costumam ter capacidade de aumentar a faixa de exposição capturada nas fotos, característica também conhecida como HDR (High Dynamic Range). Com isso, obtem-se uma imagem com relativamente mais detalhes, tanto nas áreas claras quanto nas escuras. Não é o caso da minha velha Pentax.

Em uma fotografia, é preciso ajustar a exposição da câmera para um determinado nível de luz, mas a cena com alto constraste, caso do contraluz, tem dois problemas:

  • apresenta uma diferença muito grande entre a área mais clara e a mais escura; e
  • as duas áreas estão uma ao lado da outra.

Na foto deste post, podem-se notar os seguintes efeitos do contraluz:

  • uma "mancha" verde ao alto, resultante do fato de que a fonte de luz (a janela) está incluída na imagem, o que gera refração na lente;
  • aberrações cromáticas nos limites entre as áreas escuras e claras, como as "bordas" coloridas entre a pessoa e o clarão vindo da janela, ou ao redor das grades da janela; e
  • perda de detalhes, tanto na área clara (exterior visto através da janela) quanto na área escura (textura das colunas e da roupa da pessoa).

Outra forma de tratar a situação é usar programas que geram uma imagem final a partir de várias imagens iguais, cada uma com uma exposição diferente. Nesse caso, pode-se tirar a mesma foto várias vezes, alterando a exposição, ou tirar uma única foto no formato de arquivo nativo da câmera (RAW). A partir dele, é possível gerar inúmeras imagens JPEG usando softwares de edição, cada uma com uma exposição configurada pelo programa. Essas imagens podem, então, ser combinadas em uma única foto com detalhes tanto nas áreas claras quanto nas escuras. Um exemplo dessa técnica é a foto abaixo:



Av. Borges de Medeiros, Porto Alegre


Nessa foto, nota-se um colorido diferente e, principalmente, muitos detalhes, tanto nas áreas originalmente escuras (árvores, prédios na sombra) quanto nas originalmente claras (céu, prédio ao sol). Ela foi composta com uma versão de avaliação do programa Photomatix a partir de sete imagens JPEG criadas a partir de um arquivo RAW da Pentax K100D.

Informações técnicas (oração na Mesquita Azul)

Data: 08/09/2007, 17h
Câmera: Pentax K100D
Lente: Pentax 18-55mm f/3.5-5.6 AL DA SMC
Distância focal: 55mm
Tempo de exposição: 1/100
Abertura: f/6.3
ISO: 200
Medição: matriz

3 comentários:

Alexandre disse...

Realmente, depois que tu falou, notei a janela"extra" na zona escura. Mas não é o que chama atenção na foto, que está muito bonita. Prefiro este contraste inclusive do que a boa visibilidade da foto da Borges.

Debi.O. disse...

Gostei do comentário sobre a técnica de criar várias imagens JPEG com o RAW. Ainda não conhecia esta utilidade para este formato. Vou começar a utilizá-lo.

Flávio disse...

É, Alexandre, fotografia é questão de gosto! Eu achei as cores da Borges artificiais demais para uma fotografia, por exemplo. Obrigado pelo elogio.